24/02/2016




Já faz um mês que nosso gato mais velho morreu. Tinha 20 anos, o que é muito, muito mesmo, para um gato viver. É como se ele fosse centenário, comparado aos humanos. Eu o dei de presente ao meu filho caçula, em seu aniversário de cinco anos. Eles cresceram juntos. Meu filho o chamou de Tommy, meu marido o chamava de Lorde, por conta do porte altivo, mas para mim sempre foi Xaninho. 

Há pessoas que não acreditam em um tipo de comunicação além da palavra, mas eu garanto que entre mim e o Xaninho havia um entendimento que ultrapassa as fronteiras da conversa como nós humanos a conhecemos. Por exemplo, se eu estivesse no andar de cima da casa, eu sentia que ele queria sair, daí descia e ele estava à porta, esperando que eu abrisse. Coisas desse tipo. 

Ainda me é difícil essa perda. Enquanto escrevo as lágrimas correm. Acho que por isso demorei tanto para escrever sobre isso. Um companheiro assim não se esquece jamais. Ele se foi por conta da idade, no último mês de vida começou a definhar dia a dia, até o dia em que estava comendo e caiu, do nada. Nesse dia eu soube que sua hora estava chegando. Daí em diante foi difícil caminhar, comer, não enxergava mais quase nada, uma tristeza só. Morreu praticamente em meu colo, agasalhado no meu xale, quietinho, bonzinho como sempre foi. 

Ah, Xaninho, não sei se existe um céu para os gatos, já li que os animais têm uma alma comum, coletiva, mas seja como for, pode ter certeza de que você foi muito amado, por todos nós aqui de casa. E o Tigrão, que agora está sozinho, está tomando conta da casa, agora. É ele quem deita no meu colo quando vou ver TV, que se enrosca na minha perna quando estou na cozinha, acho que ele sabe que sinto muito sua falta e faz de tudo para me agradar, um amor de gatinho, o Tigrão. 

Se você tem um gato e o ama, sabe do que estou falando. Se você não tem um gato, pense sobre cuidar de um (ou ele cuidar de você). Não há como explicar a afinidade que existe com um animal quando se tem tanto amor por ele. A gente aprende sobre convivência, carinho, fidelidade, desprendimento, gratidão.

Adeus, Xaninho. Mesmo que eu arrume um novo gatinho, sei que nunca terei um amigo como você ao meu lado. 



2 comentários:

  1. Ai Helenice, estou chorando com você.
    Sinto muitíssimo sua perda, é uma falta que nos acompanha a vida toda.
    Sei exatamente o que você quer dizer com essa comunicação, eu tenho isso com as minhas "meninas".
    Já tive 12 cachorros, amo todos os animais, mas a ligação de alma que tenho com minha gata é indescritível.
    Eu nunca tinha tido um gato antes e ela surgiu na minha vida como um presente do céu . Fui levar minha cachorra no veterinário e alguém tinha abandonado uma gata adulta e doente lá. Estava com um suposto tumor na mama, cheias de feridas na pele e muito magra.
    Ela ia ser enviada para um abrigo. Eu estava esperando a consulta e ela atravessou a clínica, passou calmamente por todos os cães e veio direto para o meu colo. Foi amor à primeira vista, eu decidi que iria ficar com ela de qualquer maneira.
    Levei-a num especialista e descobrimos que era uma mastite. com o tratamento ela se recuperou totalmente e hoje é a coisa mais linda do mundo!
    Ah Helenice, conforme você foi falando do seu Xaninho, fui pensando em minhas meninas e como será difícil quando tivermos que nos separar...
    Tenho certeza de que seu gato sabia que era muito amado e teve uma vida feliz, mas é preciso lidar com a nossa saudade.
    Força amiga, respeite seu luto, os primeiros meses são difíceis mas confie que você vai superar. A dor vai amenizar e ficará a lembrança. Ele será eterno no seu coração.
    Grande abraço com carinho

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    1. Obrigada por suas palavras e seu depoimento, Cristiane. Agora que você tem uma gatinha na sua vida, entende profundamente o que sinto. Sei que a saudade vai ficar pra sempre. E gostei muito de saber a história da sua gatinha, ela te escolheu, sabia o que estava fazendo. Acho que os gatos também pressentem que é capaz de dar amor.

      Abraço.
      Paz e luz.

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