26/03/2013

Pensão Familiar



Jardim de pensãozinha burguesa.
Gatos espapaçados ao sol.
A tiririca sitia os canteiros chatos.
O sol acaba de crestar as boninas que murcharam.
Os girassóis
                              amarelo!
                                                          resistem.
E as dálias, rechonchudas, plebeias, dominicais.

Um gatinho faz pipi.
Com gestos de garçom de restaurant-Palace
Encobre cuidadosamente a mijadinha.
Sai vibrando com elegância a patinha direita:
- É a única criatura fina na pensãozinha burguesa.

(Manuel Bandeira - Petrópolis, 1925)

04/11/2012

O bicho que se espicha






o lindo bicho que se espicha
afofando com as patas a manta
não é sapo e não é lagartixa
mas um gato que se agiganta

comprido como uma salsicha
estende o rabo, a orelha levanta
estica o pescoço, treme a barbicha
abre a boca e mostra a garganta

no charme e olhar “blasé” capricha
seu ronronar é som que encanta
ter um gato é ter “la buena-dicha”
é companhia que a vida abrilhanta


Helenice Priedols





(Este é o Tigrão, o gato caçula lá de casa. Olhos cor de esmeralda, pacífico, doce como um bebezão)


27/10/2012

Eu não sou um vira-lata!




A raça brazilian shorthair data de meados do anos 80 tendo suas origens nas ruas do Brasil. Foi a primeira raça de gatos genuinamente brasileiros a receber um reconhecimento internacional, sendo considerada uma raça pura .

O Brazilian Shorthair (Pêlo Curto Brasileiro) é um gato de tamanho médio, pelagem curta, com variedade de cores e padrões, e olhos dramaticamente expressivos. 

Há muitos aspectos que tornam estes gatos especiais. Por exemplo, o espaço entre os olhos é igual ao tamanho do olho, e os olhos são geralmente da mesma cor do pêlo.

Os machos podem ser facilmente distinguidos das fêmeas, porque eles têm cabeças maiores. Após a idade de 6-8 anos, mesmo se você tiver um espécime saudável, é aconselhável levá-lo ao veterinário para exames de rotina a fim de detectar potenciais problemas de saúde.

Se você estiver procurando por um gato carinhoso que não é agressivo e gosta de estar próximo de pessoas, o brazilian shorthair se encaixa perfeitamente em suas necessidades. Ele tem um temperamento agradável, muito brincalhão, ativo e um predador perfeito. Ele é inteligente e aprende as coisas muito rapidamente.

Esta raça se harmoniza muito bem com crianças. Estes gatos são conhecidos por sua capacidade de vincular as relações com todos os familiares e amigos, e eles não são gatos de um único proprietário.


(fonte: http://www.racasdecachorros.net/fotos-raca-gato-brazilian-shorthair.html)





15/10/2012

Sobranceiro




O suave olhar e o tato
E o andar que mostra o tino
Não definem o ar felino
Nem seu íntimo substrato...

No seu sentido mais lato,
Afastado do humano
É que habita um bichano
Pois senão seria um pato!

Pra si mesmo ele ronrona
Sem saber demais do mundo
E jamais se trouxe à tona

O que pensa, enfim, no fundo:
Pede amor pra sua dona
A miar, tão vagabundo...


(Francisco Settineri)

11/09/2012

Ao Gato





Gato, já está em idade avançada,
Quantos camundongos e ratos em sua vida comeu?
Quantos petiscos roubou?
Olhe com estes lânguidos e brilhantes segmentos de verde,
Ergue as orelhas de veludo
Mas por favor não espetes tuas garras latentes em mim
E mia mais alto - e me conta suas contendas
Por peixes, camundongos, ratos e tenros galetos.
Não, não baixes os olhos nem lambas teus punhos delicados.
Apesar do teu arfar asmático, apesar de teu rabo cortado,
Apesar de muitas empregadas te terem batido,
Tua pele ainda é tão suave como quando duelavas
Na juventude sobre os muros entre cacos de vidro.

(John Keats)

17/06/2012




Passeiam-se nos parques como gatos. Deslizando, com elegância e sem pressas. Apurando os sentidos, a reconhecer o território. Afagam o tronco de uma árvore, olham a copa e, se fosse da sua natureza, trepariam e ficariam muito serenos, deitados no garfo de dois ramos jovens. Esmagam nos dedos uma folha de lúcia-lima e cheiram-na, aspiram-na, com sensualidade disfarçada. Pontapeiam uma pinha caída no saibro do caminho, para depois, mais adiante, a apanharem e a arremessarem. Como um gato faz com um novelo. São solitários. Evitam cruzar-se com outros exploradores. Procuram tomar caminhos diversos. Debruçam-se nos lagos, molham as pontas dos dedos e não as enxugam. Às vezes passam-nas no rosto. Espiam os pássaros, detêm-se, para não os assustarem.
Os gatos, esses, aparecem de noite. É o seu tempo dos parques. É também o tempo de muitos outros bichos que viram os homens sem serem vistos. Dos mistérios dos parques só os gatos sabem. Nunca os revelarão. Os poetas sabem disso, mas continuarão a deslizar nos parques, imitando os gatos. Na esperança de um dia saberem ler o que eles trazem inscrito nas pupilas.

Licínia Quitério




24/01/2012

18/11/2011

Luz da Lua Minguante



Passeia a lânguida gata
(o rabo em pé faz bravata)
sobre o muro escorregadio

O pitbull num rosnado bravio
traça planos para o escorregão
que coloque a atrevida no chão

Mas à fraca luz da lua minguante
O rabo mia em desacato humilhante...

(Marisa Schmidt, 16/11/2011)

17/10/2011

Sebastião Preto Carvão

Vale a pena visitar este blog Sebastião Preto Carvão. Cheio de artes e coisas fofas.
O Sebastião já subiu no telhado. Que pena. Mas deixou um legado e muitas lembranças boas. :o)

17/09/2011

Instruções sobre como dar uma pílula a um gato



1. Sente-se no sofá, pegue o gatinho e aninhe-o no braço direito como se segurasse um bebê. Posicione o indicador e o polegar direitos de cada lado da boca do bichano e gentilmente pressione as bochechas, segurando a pílula na palma da mão. Quando o gatinho abrir a boca, coloque a pílula dentro. Deixe o gato fechar a boca e esfregue a garganta dele para encorajá-lo a engulir.

2. Recupere a pílula que caiu no chão e o gato de trás do sofá. Aninhe o gato no braço esquerdo e repita o procedimento.

3. Vá buscar o gato no quarto e jogue a pílula gosmenta no lixo.

4. Pegue uma pílula nova da embalagem, aninhe o gato no braço esquerdo, segurando as patas traseiras firmemente com a mão esquerda. Abra a mandíbula do gato e empurre a pílula para o fundo da boca com o indicador direito. Mantenha a boca fechada (a do gato) e conte até 10.

5. Recupere a pílula de dentro do aquário e tire o gato de cima do armário. Chame sua esposa no jardim.

6. Ajoelhe-se no chão com o gato firmemente preso entre os joelhos, segurando as patas traseiras e dianteiras. Ignore os rosnados emitidos pelo gato. Peça a sua esposa que segure a cabeça do gato firmemente com uma das mãos enquanto com a outra mão enfia a ponta de uma régua na boca do bichano. Escorregue a pílula pela régua e esfregue a garganta do gato com vigor para que ele engula.

7.Tire o gato do trilho da cortina, pegue outra pílula da embalagem. Tome nota para comprar uma nova régua e consertar as cortinas. Cuidadosamente varra os cacos das estatuetas quebradas e deixe de lado para colar mais tarde.

8. Embrulhe o gato em uma toalha e peça a sua esposa que deite-se sobre ele deixando apenas a cabeça do bicho aparecendo por debaixo do sovaco. Coloque a pílula na ponta de um canudinho de refresco, force a boca do gato para abrir e mantenha aberta com um lápis. Assopre o comprimido do canudinho para dentro da boca do gato.

9. Verifique na bula se a pílula é prejudicial aos humanos, beba um copo de água para tirar o gosto. Faça um curativo no braço de sua esposa e remova o sangue do tapete com água fria e sabão.

10. Vá buscar o gato na garagem do vizinho. Pegue outra pílula. Coloque o gato dentro do armário da cozinha e feche a porta deixando a cabeça do felino para fora. Force-o para abrir a boca com uma colher de sobremesa. Atire a pílula para dentro da garganta do gato utilizando um elástico como estilingue.

11. Pegue uma chave de fenda na caixa de ferramentas e acerte as dobradiças da porta do armário. Aplique compressa fria na bochecha e verifique em sua caderneta de vacinas quando foi a última dose da antitetânica. Jogue a camisa fora e busque outra no quarto.

12.Ligue para os bombeiros, para tirarem o gato de cima da árvore, do outro lado da rua. Desculpe-se com o vizinho que bateu como o carro no muro ao desviar do gato. Peque a última pílula da embalagem.

13. Amarre as patas dianteiras do gato com as patas traseiras com uma corda, e prenda-o firmemente à perna da mesa da sala de jantar. Pegue as luvas de jardinagem na edícula. Force a boca do gato aberta com uma chave inglesa. Empurre a pílula pela boca seguido de um pedaço de filé mignon. Segure a cabeça do gato na vertical e despeje um copo de água pela goela do bichano para que a pílula desça.

14. Peça a sua esposa que o leve ao pronto-socorro. Sente-se bem quieto enquanto o médico costura pontos em seu dedo e remove os restos da pílula do seu olho direito. Na volta para casa pare na loja de móveis para encomendar uma mesa nova.

15. Marque uma consulta com o psiquiatra, telefone para a sociedade protetora dos animais para que encontrem o bichano e ligue para a loja de animais encomendando uma tartaruga.



21/08/2011

Elegiazinha



i. m. nikita (gata da Inês)


Gatos não morrem de verdade:
eles apenas se reintegram
no ronronar da eternidade.

Gatos jamais morrem de fato:
suas almas saem de fininho
atrás de alguma alma de rato.

Gatos não morrem: sua fictícia
morte não passa de uma forma
mais refinada de preguiça.

Gatos não morrem: rumo a um nível
mais alto é que eles, galho a galho,
sobem numa árvore invisível.

Gatos não morrem: mais preciso
- se somem – é dizer que foram
rasgar sofás no paraíso

e dormirão lá, depois do ônus
de sete bem vividas vidas,
seus sete merecidos sonos.


Nelson Ascher in 'Parte Alguma'